Neste momento, incorporo Théodore Géricault e pinto a minha obra prima, a minha “balsa do Medusa”. Talvez não consiga me eternizar ao descrever em letras o que tão dramaticamente Géricault pintou em óleo sobre tela.
O Medusa - embarcação do governo francês - que zarpou da França com destino ao Senegal encalhou e afundou na costa africana por culpa exclusiva do capitão que fora nomeado por motivos políticos.
Dos 149 passageiros, apenas 10 sobreviveram. Toda forma primitiva de instinto de sobrevivência instalou-se no naufrágio, entre elas o canibalismo.
Nos verdes mares potiguar, o nome da embarcação não poderia ser mais mais apropriado, pois a coligação “Vitória do povo” acarrancado pela sua medusa Wilma de Faria naufragou e neste momento seguem todos agarrados aos soçobros.
O capitão Iberê, a exemplo do capitão do medusa, Hugues du Roy, não se sabe se por estar petrificado ao fitar os olhos de Wilma ou pela arrogância típica dos capitães de fragatas reais, conduziu a sua embarcação a inevitável catástrofe em dia limpo e claro levando todos ao malogro.
Agarrando-se nos destroços da barca furada avista-se o ex-secretário-desafeto Vágner Araújo. Henrique Alves emerge por cima do amontoado de barris de vinho (seria de Chopp?) em busca de alguma esperança no horizonte mas só consegue ver a imagem de Garibaldi Alves nas nuvens, enquanto João Maia e os demais sorvem os últimos goles do absyntho que serviam na embarcação.
Tarde demais, o inevitável já foi dramatizado em sangue sobre tela e aqui será confirmado nas urnas nestas eleições que se avizinham.
Olhando bem a minha tela, não a de Géricault, consigo enxergar o velho lobo do mar, o arrais Agnelo Alves na embarcação do seu “skipper” Carlos Eduardo, singrando os mares como elegantes cisnes brancos...
Au revoir!
Gustavo Andrade Rocha


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